4 de Julho de 2026

CONTEÚDO

MEMÓRIAS, SABERES E DIREITOS: Da Resistência dos Territórios ao Reconhecimento Nacional- A Caminhada da Rede POTMA e do Instituto Nacional Sementes do Bem na construção de políticas públicas para os Povos Tradicionais de Matriz Africana.

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MEMÓRIAS, SABERES E DIREITOS:

Da Resistência dos Territórios ao Reconhecimento Nacional-

A Caminhada da Rede POTMA e do Instituto Nacional Sementes do Bem na construção de políticas públicas para os Povos Tradicionais de Matriz Africana.

Uma trajetória construída por lideranças, autoridades tradicionais, povos de matriz africana, comunidades quilombolas, mestres da tradição, griôs e guardiões da memória ancestral que transformaram décadas de luta em reconhecimento institucional, fortalecimento cultural e acesso às políticas públicas e aos direitos.

 

 

UMA CONQUISTA QUE NÃO COMEÇOU HOJE

Existem conquistas que não nascem em um único dia.

Existem reconhecimentos que não são resultado de sorte, oportunidade ou acaso.

São frutos de décadas de caminhada, de estradas percorridas, de pontes construídas, de encontros realizados e, sobretudo, da persistência de homens e mulheres que decidiram não permitir que a memória dos seus ancestrais desaparecesse.

A certificação da REDE POTMA – Multiculturas dos Povos Tradicionais de Matriz Africana como Ponto de Cultura representa exatamente isso.

Representa a materialização de uma luta coletiva construída por gerações de sacerdotes, sacerdotisas, ekedes, ogãs, quilombolas, mestres da tradição, lideranças comunitárias, artistas, educadores, pesquisadores, produtores culturais e defensores dos direitos humanos que mantiveram vivos os conhecimentos ancestrais dos Povos Tradicionais de Matriz Africana.

Mais do que uma certificação.

Mais do que um reconhecimento institucional.

Trata-se de um marco histórico para Mato Grosso.

Trata-se da confirmação de que nossos territórios produzem cultura, educação, patrimônio, memória, ciência, arte, gastronomia, espiritualidade, comunicação e transformação social.

 

O PAPEL DO INSTITUTO NACIONAL SEMENTES DO BEM

 

O reconhecimento da Rede POTMA como Ponto de Cultura reafirma o compromisso do Instituto Nacional Sementes do Bem com a promoção dos direitos culturais, da liberdade religiosa, da valorização dos patrimônios culturais afro-brasileiros e da defesa dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana.

A certificação nacional foi conquistada por meio do Instituto Nacional Sementes do Bem, organização responsável pela gestão e articulação do Ponto de Cultura Rede POTMA.

Com sede em Mato Grosso e atuação em Rondônia, São Paulo e Rio de Janeiro, o Instituto consolidou-se ao longo dos anos como uma referência na promoção dos direitos culturais, da formação comunitária, do fortalecimento institucional e da valorização dos Povos e Comunidades Tradicionais.

Sua atuação demonstra que organizações comunitárias podem construir caminhos próprios de desenvolvimento, fortalecendo a autonomia dos territórios e ampliando o acesso às políticas públicas.

Sob a coordenação de Iyalorixá, Iyanifá Ifápòmilé Akanni – Joyce Lombardi, o Instituto Nacional Sementes do Bem consolidou uma trajetória de articulação entre cultura, ancestralidade, direitos humanos, formação comunitária e fortalecimento institucional, contribuindo para a construção de pontes entre os territórios tradicionais e as políticas públicas de âmbito municipal, estadual e federal.

 

DA PNAB AO CULTURA VIVA: UM CAMINHO POSSÍVEL

O processo teve início com a participação da Rede POTMA nos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – Ciclo 2024, executados em Mato Grosso pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (SECEL-MT). A experiência demonstrou que os territórios tradicionais possuem capacidade técnica e institucional para acessar diretamente os mecanismos de fomento cultural e construir projetos alinhados às necessidades de suas comunidades.

A trajetória que levou ao reconhecimento nacional começou com a participação da Rede POTMA nos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) em Mato Grosso.

O acesso aos editais públicos demonstrou algo que os territórios tradicionais sempre souberam:

Somos capazes.

Temos conhecimento.

Temos legitimidade.

Temos capacidade de gestão.

Temos competência técnica e comunitária para construir e executar projetos.

Foi a partir desse processo que a Rede POTMA avançou para o Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, integrando uma das mais importantes políticas culturais do país.

 

UMA CONQUISTA DE DIMENSÃO NACIONAL

O reconhecimento da Rede POTMA não ocorreu de forma isolada.

Durante o processo nacional de certificação da Política Nacional Cultura Viva, mais de 22 mil iniciativas culturais participaram das etapas de avaliação em todo o Brasil.

Milhares de organizações foram certificadas e reconhecidas, passando a integrar oficialmente a rede nacional de Pontos de Cultura.

Entre mais de 22 mil iniciativas culturais participantes do processo nacional de reconhecimento da Política Nacional Cultura Viva, milhares de organizações foram certificadas e passaram a integrar oficialmente a Rede Nacional de Pontos de Cultura. Nesse contexto, a Rede POTMA e o Instituto Nacional Sementes do Bem conquistaram seu reconhecimento nacional, conectando Mato Grosso a uma das mais importantes políticas públicas de cultura comunitária do país.

Hoje a Rede POTMA e o Instituto Nacional Sementes do Bem fazem parte dessa rede nacional de reconhecimento e fortalecimento cultural.

Trata-se de uma conquista coletiva que conecta Mato Grosso a uma das maiores redes comunitárias de cultura do mundo o PROGRAM NACIONAL CULTURA VIVA – onde reúne pontos e pontões de Cultura.

 

AS LEIS QUE PROTEGEM NOSSOS TERRITÓRIOS

A caminhada da Rede POTMA está fundamentada em importantes marcos legais conquistados pela luta histórica dos Povos Tradicionais:

  • Lei Estadual nº 12.791/2022 – Lei Makota Valdina;
  • Decreto Federal nº 6.040/2007;
  • Decreto Federal nº 12.278/2024;
  • Lei Federal nº 12.288/2010 – Estatuto da Igualdade Racial;
  • Lei Federal nº 13.018/2014 – Política Nacional Cultura Viva;
  • Constituição Federal de 1988 (Artigos 215 e 216);
  • Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Essas legislações não surgiram por acaso.

São resultado de décadas de mobilização, resistência e organização coletiva dos Povos Tradicionais, dos Povos de Terreiro e dos movimentos sociais comprometidos com a justiça social e a igualdade de direitos.

 

OS GUARDIÕES DA MEMÓRIA TAMBÉM PRODUZEM CONHECIMENTO

Durante muito tempo, tentou-se construir a falsa narrativa de que os Povos e Comunidades Tradicionais ocupavam apenas o lugar de beneficiários das políticas públicas, como se fossem apenas destinatários de ações formuladas por outros.

A realidade dos territórios demonstra exatamente o contrário.

Os Povos Tradicionais de Matriz Africana são produtores de conhecimento, formuladores de estratégias comunitárias, guardiões de tecnologias ancestrais e construtores permanentes de soluções coletivas para seus territórios.

São educadores.

São pesquisadores.

São gestores.

São artistas.

São comunicadores.

São lideranças sociais.

São empreendedores culturais.

São agentes de transformação comunitária.

Em nossos territórios encontramos homens e mulheres formados em universidades públicas e privadas, especialistas, mestres, doutores, pesquisadores, professores, gestores culturais, produtores audiovisuais, escritores, advogados, assistentes sociais, profissionais da saúde, educadores populares e diversas outras áreas do conhecimento.

Mas encontramos também algo igualmente valioso e indispensável para a construção da sociedade brasileira:

Nossos mestres da tradição.

Nossos griôs.

Nossos mais velhos.

Nossas sacerdotisas e sacerdotes.

Nossas autoridades tradicionais.

Guardião após guardião, geração após geração, esses homens e mulheres preservaram conhecimentos que atravessaram séculos de resistência, mantendo vivas práticas culturais, memórias coletivas, saberes espirituais, sistemas de cuidado, formas de organização comunitária, tecnologias alimentares, conhecimentos sobre a natureza, oralidades, cantos, danças, celebrações e modos de vida que constituem parte fundamental do patrimônio cultural brasileiro.

A academia produz conhecimento científico.

Os territórios tradicionais produzem conhecimento ancestral.

A universidade registra.

A tradição preserva.

A pesquisa sistematiza.

A oralidade transmite.

Não existe hierarquia entre esses saberes.

Existem diferentes formas de produzir, preservar e compartilhar conhecimento.

E é justamente no encontro entre ciência, cultura, memória, ancestralidade e experiência comunitária que surgem novas possibilidades de transformação social.

Reconhecer os Povos Tradicionais como produtores de conhecimento é reconhecer sua capacidade de formular políticas, construir soluções, gerar inovação social e contribuir ativamente para o desenvolvimento cultural, educacional, ambiental e humano do país.

Porque a ancestralidade não é apenas memória do passado.

É também uma ferramenta de construção do futuro.

UMA REDE QUE MOVIMENTA VIDAS

A Rede POTMA- Multiculturas de Matriz Africana  reúne atualmente mais de 35 lideranças e autoridades tradicionais.

Em apenas 28 territórios articulados, estima-se o acompanhamento direto de aproximadamente 4.200 filhos e filhas de santo.

Somam-se a esse universo mais de mil famílias quilombolas, comunidades tradicionais parceiras, juventudes, mulheres, crianças, idosos e diversas organizações culturais.

A Rede está presente em mais de 10 municípios mato-grossenses e alcança, por meio das ações de comunicação e mobilização, mais de 500 mil pessoas nas redes sociais.

Voz da Liderança

“A certificação como Ponto de Cultura demonstra que nossos territórios possuem conhecimento, capacidade técnica, legitimidade e autonomia para acessar políticas públicas, construir projetos e fortalecer nossas comunidades. As pontes foram construídas. Agora precisamos atravessá-las.”

— Iyalorixá, Iyanifá Ifápòmilé Akanni (Joyce Lombardi)
Gestora Cultural e Presidenta do Instituto Nacional Sementes do Bem

 

 

A PRIMEIRA RODA DE CONVERSA PÓS-TEIA NACIONAL CULTURA VIVA

No dia 31 de maio de 2026, a REDE POTMA – Multiculturas dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (Ponto de Cultura), por meio do Instituto Nacional Sementes do Bem, realizou a Primeira Roda de Conversa Pós-TEIA Nacional Cultura Viva, reunindo instituições públicas, organizações da sociedade civil, Pontos de Cultura, lideranças tradicionais, Casas de Axé, representantes de Povos e Comunidades Tradicionais e participantes de diversos municípios do Estado de Mato Grosso.

O encontro contou com a participação de representantes da:

  • Rede POTMA – Multiculturas dos Povos Tradicionais de Matriz Africana;
  • Instituto Nacional Sementes do Bem;
  • Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT);
  • Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH);
  • Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN);
  • Central Única das Favelas (CUFA Mato Grosso);
  • Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE);
  • Casarão das Artes – Ponto de Cultura;
  • Centro Palmares, por meio da participação do Secretário Executivo Tateto Danilo Moura (Bahia), representando a articulação nacional do Centro Palmares;
  • Casas de Axé e lideranças religiosas e Culturais  de matriz africana;
  • Representantes de Povos e Comunidades Tradicionais;
  • Lideranças comunitárias e culturais de diversos municípios mato-grossenses.
  • Mulheres da Tradição – ONG

A atividade foi realizada como desdobramento da participação da Rede POTMA na 6ª TEIA Nacional Cultura Viva, fortalecendo o diálogo sobre a ampliação do acesso às políticas públicas culturais, a certificação de Pontos de Cultura, a proteção dos patrimônios culturais, a valorização dos saberes ancestrais e a implementação dos direitos assegurados aos Povos e Comunidades Tradicionais.

Mais do que um encontro institucional, a Roda de Conversa constituiu um espaço de escuta, articulação e construção coletiva, reafirmando a importância da cooperação entre universidades, órgãos públicos, movimentos sociais, Pontos de Cultura, Casas de Axé e organizações comunitárias na defesa dos direitos culturais e no fortalecimento dos territórios tradicionais.

O encontro também reafirmou o compromisso da Rede POTMA e do Instituto Nacional Sementes do Bem com a formação de lideranças, a democratização do acesso às políticas públicas, a valorização da ancestralidade e a construção de caminhos para que mais organizações dos Povos e Comunidades Tradicionais possam acessar editais, certificações, programas governamentais e mecanismos de fortalecimento institucional.

 

 

AS PONTES FORAM CONSTRUÍDAS. AGORA É TEMPO DE ATRAVESSÁ-LAS.

Não precisamos esperar que outras pessoas contem nossas histórias.

Não precisamos esperar que terceiros apresentem projetos em nosso lugar.

Quem conhece nossos territórios somos nós.

Quem conhece nossos ancestrais somos nós.

Quem conhece nossas necessidades somos nós.

As leis existem.

Os programas existem.

Os editais existem.

As políticas públicas existem.

As pontes foram construídas por aqueles que vieram antes de nós.

Agora é tempo de atravessá-las.

É tempo de fortalecer nossas organizações.

É tempo de acessar recursos.

É tempo de registrar nossas memórias.

É tempo de ocupar nossos direitos.

Porque cada território é um universo.

Cada liderança é uma ponte.

Cada comunidade é um patrimônio vivo.

E cada semente plantada hoje tem potencial para transformar-se em um Baobá para as futuras gerações.

Por respeito.

Por dignidade.

Por reconhecimento.

Por memória.

Por ancestralidade.

Porque a cultura produzida em nossos territórios não é apenas expressão artística. É memória coletiva. É patrimônio vivo. É tecnologia ancestral. É educação comunitária. É resistência. É futuro.

A luta continua.

Makuiu.
Kolofé.
Motumbá.
Aboru. Aboye.

Iyalorixá, Iyanifá Ifápòmilé Akanni – Joyce Lombardi
Gestora Cultural | Diretora Teatral e Audiovisual-
Presidenta do Instituto Nacional Sementes do Bem-
Coordenação da Rede POTMA – Multiculturas dos Povos Tradicionais de Matriz Africana-
Mato Grosso – Brasil | 2026

 

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